sábado, 26 de junho de 2010

Cura?

A sinecura qualquer já deixou espaço para a loucura que vier.
Não há espaço, terreno, farto ou sadio, sequer estável.
O dificil é saber a razão que faz a sorte não ter mais lado.
É pior ainda não julgar e ser julgado por quem não tem sua pele.

Quid est veritas? Ad astra et ultra...

Cura quem não quer ver,
a sinecura para quem não é mais,
é a loucura cotidiana em você.

Verdade não existe mais...
E é tola a esperança que te afaga.

Verdade virou versão,
energia que destrói a mente
e o coração.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Boró no bolso? Nunca mais!



É fato sabido por todos que as diferenças regionais muitas vezes provocam mudanças no vocabulário e a criação ou utilização de gírias ou expressões podem variar de local para local. É aí, amigos da blogosfera, que surgem situações mais que inusitadas...

Estava eu na praia de Boa Viagem tomando um banho de sol, quando resolvi parar no estimado Clube do Anzol para tomar uma água de coco e bater um papo com o ilustríssimo rubro negro Eliel, quando aparecem alguns conhecidos camaradas no local.
Em meio a conversas e brincadeiras, recebo o convite para ir com eles num barzinho, onde rolaria uma boa música e etc...
Sem interesse nenhum em acompanhá-los, agradeci o convite, justificando que havia ido até a praia para tão somente tomar um banho de sol e passar o tempo. Assim foram minhas palavras: "cara, valeu, mas hoje vou ficar por aqui. Saí de casa só para dar uma volta, por isso vim até sem carteira só mesmo com um boró no bolso.
Vi que ficaram um tanta estarrecidos, mas assim que foram embora perguntei ao Eliel se tinha feito algo de errado:
EU - Ei Eliel, será que os caras ficaram bolados. Porra cara, não tava afim mesmo de ir. Tô inclusive sem grana, saí de casa só com um boró no bolso, olha aí, cinco... sete reais!
ELIEL - Mas também rapaz, você foi dizer que tava com o boró no bolso...
EU - Como assim?
ELIEL - Que boró é esse que tais falando?
EU - Aqui ó, esse dinheiro trocado...
ELIEL - Puta que pariu, lascou!
EU - Que foi?
ELIEL - Tá tudo errado Rafa, é que aqui, BORÓ É MACONHA!
EU - Caralho!!! E agora?
ELIEL - Agora deixe que eu explico tudo pra eles, não esquente.
EU - Beleza, te devo quanto?
ELIEL - É dois do coco...
EU - Toma aí, deixa eu ir. Um abraço,
ELIEL - Abraço... escuta aí Rafa!
EU - Oi?
ELIEL - Essa foi foda né?
EU - Porra foi...


E foi mesmo. Depois dessa, boró nunca mais!


רפאל

terça-feira, 2 de março de 2010

O privilégio de ter alguém (o poema que você sabe pra quem)

Sinto pena de quem
não tem o privilégio
de ter alguém.

Sinto muita paz
pela linda calma
que você me traz.

Quero que escreva
nosso nome em
um lugar sagrado.

Por que você sabe
e se não sabe
eu sou um homem amado!

Esse versinho
vem mansinho
com todo carinho
pra quem segura na minha mão.

רפאל

Tapa com luva de pelica




"Levei um tapa com luva de pelica". Foi assim que me senti.
Num dia quente do verão pernambucano, após um desencontro profissional, parei para tomar um caldo de cana e, quando percebi estava esmoecendo, reclamando da vida. Olhei para o meu lado e percebi sentados na barraca do caldo uma senhora e um garoto de aproximadamente oito anos, o qual só um instante depois percebi que era cego.
Estava eu preocupado com meus pequenos problemas quando o garoto resolveu se levantar. Imediatamente, peguei sua mão direita e facilitei sua saída por entre as mesas e cadeiras.
Sem que eu pudesse perceber ou imaginar, o garoto virou para mim e disse: - obrigado tio, um bom dia pro senhor. Depois disso me deu um beijo no rosto, o qual eu retribui.
Após ele ir embora não resisti, nem hesitei, e sim comecei a chorar imediatamente. Vergonha de mim mesmo, meu egoísmo travesso e primitivo. O garoto nunca viu a luz do sol e resplandece luz a sua volta. Eu, com toda a energia que a perfeição me proporciona, achando-me em trevas.
Sou grato por Deus me proporcionar a cura de uma ignorância tão grande e absurda.


רפאל

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Em busca da cura

Depois do fasto período de inatividade, acredito nesse momento poder falar em cura ou sinecura, para quem aproveitar. Retornamos a atividade em grande estilo, calma e elegância.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Macaco cidadão


O Governo do Estado do Pará anuncia como obra indispensável ao desenvolvimento do Estado o prolongamento da Rodovia dos Trabalhadores (Transmangueirão) através da sua união com a Avenida Júlio Cesar. Consequentemente, esta obra seria executada com prejuízo ao Parque Ecológico do Município, área de 44 hectares localizada entre os conjuntos Bela Vista e Médice.
Os moradores do Bela Vista não poderiam deixar de ficar indignados e insatisfeitos com a empreitada estatal, uma vez que serão os mais afetados com a perda de quase a totalidade de sua área verde. Não há, em nenhum momento, um projeto que leve em consideração a preservação da mata centenária que cerca o conjunto.
Indo mais além, paro para pensar se o Governo é capaz de me responder uma pergunta mais que fundamental: o que nós queremos para Belém? Qual é o projeto urbanístico que hipostaseamos para a cidade?
O que vejo é precipitação e descaso: acredito que os engenheiros encarregados desconheçam que essa área foi criada através do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, e como UC (Unidade de Conservação), tem a proteção de uma lei municipal que istitui e regula o Parque Ecológico do Município de Belém.
A precipitação do Estado é clara e visível: primeiro, em sonhar que sediaria a Copa do Mundo de Futebol em 2014. Descartada a possibilidade, imagino que prejudicar o bem estar e a segurança de famílias e desgastar potencialmente uma área verde por causa somente de um campeonato é uma tremenda incoerência. Sem falar que, óbvio, as grandes seleções jamais jogariam aqui, elas provavelmente iriam para o outro Brasil que fica mais embaixo. Assim, imaginem os possíveis clássicos que perdemos: Rússia x Marrocos, Israel x Trinidad & Tobago, Senegal x Egito...
Nasci e cresci convivendo com essa área verde, escutando o sabiá cantando na hora do café, dando comida aos macacos-de-cheiro, isso sem falar das trilhas e brincadeiras na mata. Acredito que minha dúvida quanto a pertinência dessa obra é contundente. Se tudo se consumar, o que vai restar é isso aí na foto, macaco no asfalto, ou macaco cidadão. Não há indenização que traga de volta a paz que nós vivemos hoje nesse pedacinho de céu que é o Bela Vista.
Com tudo isso o Governo do Estado anuncia que vai plantar um bilhão de árvores. Nada mais justo, pois só aqui no conjunto devem ter derrubado umas 10 milhões!
O que vão fazer do ecossistema local? Isso ninguém se manifesta. O Governo se "compromete" a fazer centro de pesquisa, organizar a visitação ao parque, etc... Lembro que o parque sequer é do Estado, e sim do Município de Belém, portanto, como é que posso entender isso. Ainda mais de um Governo que, sinceramente, até hoje não concluiu nada com competência. É o Governo do projeto, do planejamento. Governo Power Point, isso aí!

Imagino que macacos como esse aí sejam objeto de um projeto de "inclusão social", e que o o Estado vá destinar subsídios para seja possibilitada a preservação de sua "dignidade humana", atraves do exercício da "ação afirmativa" de seus "direitos atávicos de macaco primitivo", combinados com a perspectiva de expansão das garantias sociais dos desfavorecidos.
É, pois esse macaco aí vai ficar sem terra, ou melhor, sem galho. O que fazer? Bolsa-sem-galho pra ele!



רפאל

quarta-feira, 10 de junho de 2009

"Ficticious Garden": ao amigo Brampcoso



Em homenagem ao meu estimado amigo Antônio Aflalo Neto (Brampcoso), registro aqui uma de nossas parcerias, cuja letra foi por ele encomendada e orgulhosamente escrita por mim.
Um abraço Sgt.,

רפאל


Ficticious garden

* Música de Brancoso Maracujá, letra por ele encomendada.
** Dedico-a aos amigos Iranildo Diniz, Bob, Fábio Frota, Piter Barnabé e outros ficticiadores.

The lie is the victim of the proud,
our proud is all that we are.
I'll see that people are 'round and 'round
for days and nights.
Just to tell you a history,
just to spend your time.

Can they show us the magic
that makes then happy of this?
Can I show them the magic of this?
It must be true, I know, but...

A ficticious garden is a place to be,
the ficticious knows what is lost in our feelings.
For the ficticious world I'll never believe,
a ficticious garden, I'll aways forgive you.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

De volta

Nesta dada retornamos ao blog.
Satisfação mais uma vez estar aqui.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Nobres causídicos


Caros colegas de faculdade, hoje nobres causídicos, muita saudade daqueles tempos. Celebremos com vida três anos de formatura. Abraço fraterno,רפאל

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Hexa (escrito em 2006)

Por ocasião da Copa da Alemanha, em 2006, escrevi um "poemanifesto". Percebi como um evento muda as atitudes das pessoas, e, inclusive, como é rica a criatividade de todos. Acho bonita a euforia das festas, mas ainda há aquele resquício de loucura que preocupa a razão. O mesmo ocorre com o Carnaval: deixa todo mundo doido. Ainda tem a TV pra corroborar todo esse sentimento...
Lembro do comentário de uma ex-namorada falando que o cunhado havia deixado o filho ao léu, mas, com certeza, não havia esquecido do compromisso com o Galvão Bueno. Fiquei calado, pois, quem sou eu pra julgar?

Vi muito egoísmo do povo brasileiro nessa época. Críticas vazias às seleções estrangeiras e uma vanglorização da nossa seleção, que, sinceramente, era, sem sombra de dúvidas, muito melhor no PlayStation II.

Hexa

Cadê a pureza, meu irmão?


Deixou teu filho cagado,
a mulher ficou chateada.
Nem açougue, nem supermercado
nem ao menos tampou a privada!

Por outro lado fez um bom estrago
no crédito que tinha em cartão,
comprando em longo prazo
um uniforme da nossa seleção.

Só não contava com a mentira,
essa víbora enrustida.
Stélio da verdade
na nova vida multimídia.

Ao menos não vou ficar estressado,
nem vou mentir pro patrão.
Terça e sexta vai ter feriado.
Rico ou pobre, no altar, a televisão.

O povo gandula
falsifica novo herói.
Vilão da realidade
em tensa união.

A Copa do Mundo é isso mesmo:
um povo que não joga no seu time,
pra vencer, se derrotou.
Além da gravidade,
os gomos dos cabelos
escondem a bola-realidade.

A felicidade não é isso aí:
não é hexa-merda, Brasil.
Só pra quem quer gol,
pois, quem se cagou,
te pega na ressaca!

רפאל

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Marajó

Estive recentemente em Soure, no Arquipélago do Marajó (não é ilha coisa alguma) e passei bons e já necessários momentos em família. Infelizmente não tive a companhia de minha amada, já que ela tinha um compromisso inadiável no fim de semana. De volta à Belém, falei que ia atualizar o blog e então ela me pediu para que compartilhasse as belas fotos da cidade de Soure.

Amore, eu não ia publicar, mas pedido é pedido,
Realmente, são boas fotos,
רפאל







"Enkráticos": ao Prof. Atahualpa Fernandez

Devo o princípio de minha formação moral, intelectual e profissional ao meu estimado professor de Introdução ao Direito, Dr. Atahualpa Fernandez. Esse grande advogado e jusfilósofo me ensinou tudo que eu precisei saber para amar o Direito, amar a ciência e amar a vida em geral. Nunca o agradeci pessoalmente, mas acredito que ele saiba o quanto é importante para um jovem acadêmico a participação efetiva de um grande mestre. Aliás, mestres como ele estão cada vez mais raros, dizem alguns. Eu discordo, acho que não estão ficando raros. Mestres são raros, e deve ser assim.
Meus colegas na nostálgica 1DIN1 com certeza vão recordar do que vou passar a tecer nas próximas linhas, com a certeza de que fomos privilegiados nas nossas lições introdutórias.

Então vamos lá, entrando no túnel do tempo, voltamos para 30 de agosto de 2001, aproximadamente 21h, o nosso mestre ditava as seguintes palavras:

"Uma vez que considerou o direito por um enfoque especialmente argumentativo ou discursivo, ou seja, que se considera o direito como uma atividade ou tarefa problemática cuja finalidade é a realização da justiça, mediante a interpretação e a aplicação da norma jurídica, é preciso considerar que toda a argumentação jurídica tem por objeto, sempre, uma relação jurídica. Sendo certo que toda relação jurídica nada mais é do que uma relação social qualificada como tal pela norma jurídica (direito) e que toda relação terá sempre como sujeito o indivíduo, a finalidade última do direito será sempre a de atender o incondicional respeito a liberdade ou a dignidade da pessoa ou do ser humano.
(...)
Indivíduo:
A formação ou conquista da individualidade, aqui considerada como a constituição de uma pessoa autônoma e independente, exige a condição prévia da institucionalização histórico-secular da liberdade. Significa dizer que a conquista de uma individualidade autônoma e separada pressupõe a liberdade plena do indivíduo, assegurada pelo conjunto de normas de um determinado ordenamento jurídico. Esta liberdade deve ser entendida - para o que aqui nos interessa - como "não dominação", ou seja, que o indivíduo é livre na medida em que ninguém possa interferir arbitrariamente nos seus planos de vida.
Uma vez satisfeito este pressuposto básico é preciso considerar que a conquista da individualidade exige, ademais, de dois requisitos básicos:
1. CONSIDERAR QUE O INDIVÍDUO É O RESULTADO DE UM COMPLICADO PROCESSO DE ARTICULAÇÃO ENTRE UMA ESTRUTURA MENTAL EXTREMAMENTE RICA E ESTÍMULOS PROVENIENTES DE UMA IGUALMENTE COMPLICADA VIDA SOCIAL; significa que a constituição do indivíduo depende sempre da forma como estabelece relações com seus semelhantes, ou seja, que a nossa individualidade e inteligência são essencialmente dependentes das relações sociais. É o olhar do outro que conforma e forma a nossa individualidade. Por essa razão, toda a nossa atividade mental, no que diz respeito a vida social está direcionada para entender, predizer e construir hipóteses sobre o comportamento dos demais. Por esta razão é que nossa atividade linguística está repleta de conteúdo social (fofoca).
2. CONSIDERAR QUE A CONQUISTA DA INDIVIDUALIDADE É ALGO TAMBÉM PROCESSUAL E DE GRAU, OU SEJA, QUE DEPENDE FUNDAMENTALMENTE DO PRÓPRIO INDIVÍDUO: ademais do "olhar do outro" é preciso considerar também que a conquista de um caráter virtuoso depende fundamentalmente da capacidade de todo indivíduo de automodelar-se (ou autolegislar-se). Significa dizer que, por termos uma estrutura mental extremamente rica, vivemos constantemente em conflito conosco mesmos. Logo, essa capacidade de todo indivíduo de automodelar seu próprio caráter e individualidade pressupõe que podemos ter preferências e desejos bons e maus. Ao indivíduo que consegue escolher sabiamente seus melhores desejos e harmonizar os conflitos internos de que padece, denomina-se uma pessoa "enkrática" - com grande força de vontade; ao indivíduo que não consegue escolher seus melhores desejos e harmonizar seus conflitos denomina-se uma pessoa "akrática"."

Mestres são mestres, suas palavras o tempo não apaga, pois a memória e o coração estão sempre reforçando seus traços. Prof. Atahualpa (sem o dr., como você prefere), acredito e tento, a cada dia, ser mais "enkrático" que num minuto anterior. Essa pequena ode vem de um animal político que estima por sua sapiência e longevidade.

Muito obrigado,
רפאל

Amálgama da Vida: "mindful eating", por Thich Nhat Hanh

Existem dois mundos: o mundo que vivemos e o que criamos. Num certo momento, esses dois mundos se fundiram no amálgama da vida. Essa coisa controversa, que fala, sente, cheira e escuta, que somos nós.
O segredo res in medio. Remédio. Inauguro uma série especial aos bloggeiros, que intitulo Amálgama da Vida. Do amálgama surge uma coisa totalmente nova, inexperiente de sentimentos. Do amálgama criamos a paz e o caos. O desejo não vai mais trair a vida consciente e sustentar a (in)verdade cotidiana.
Quid est veritas? Para Adorno, não pode a verdade individual sobreviver a mentira coletiva. Assim, quem mente envergonha-se, não por ter mentido, e sim por ter que participar da mentira de um mundo que lhe obriga a pregar a honestidade e a lealdade.
רפאל
Numa palestra sobre o consumo consciente, o monge e mestre budista Thich Nhat Hanh fala sobre o quanto comer pode ser extremamente violento:
"A UNESCO nos diz que 40.000 crianças morrem no mundo, diariamente, por falta de nutrição, por falta de comida. Quarenta mil crianças, diariamente! E o volume de grãos que cultivamos no ocidente é, em sua maior parte, usado para alimentar o gado criado para ser vendido como carne.
95% da aveia e 87% do milho produzidos nos Estados Unidos não é para consumo humano, mas para os animais criados para consumo. Isso representa o uso de 45% de toda a terra disponível no país.Mais da metade da água consumida nos Estados Unidos é usada na criação de animais de corte. São necessários 2500 galões de água para produzir meio quilo de carne, mas apenas 25 galões para produzir meio quilo de trigo.
Uma dieta totalmente vegetariana requer 300 galões de água por dia, enquanto que uma dieta à base de carne requer mais de 4000 galões de água por dia. Criar animais para consumo causa mais poluição da água que qualquer outra indústria nos Estados Unidos, porque os animais criados para consumo produzem 130 vezes mais excremento que o total da população humana. Isso significa 45.000 quilos por segundo. Muito dos dejetos advindos das fazendas de gado e matadouros são jogados ou fluem para dentro dos rios e córregos, contaminando as fontes de água limpa.
Nos Estados Unidos, os animais criados para consumo recebem como alimento 95% da aveia e 87% do milho cultivados. Estamos comendo o nosso país, comendo a nossa terra.
Eu fiquei sabendo que mais da metade da população come em excesso! Comer de forma consciente - mindful eating - pode ajudar a manter a compaixão em nosso coração. Uma pessoa sem compaixão não pode ser feliz, não pode relacionar-se com outros seres humanos e com outros seres vivos. Uma segunda espécie de comida que consumimos diariamente são as impressões sensoriais, a comida que comemos com os olhos, os ouvidos, a língua, o corpo, a mente. Quando lemos uma revista, nós consumimos. Quando você assiste televisão, você consome. Quando você escuta uma conversa, você consome. E esses ítens podem ser bastante tóxicos. Podem existir muitos venenos, como desejos, violência, raiva e desespero. Nós nos permitimos sermos intoxicados quando consumimos em termos de impressões dos sentidos.
E, da mesma forma, nós permitimos que nossas crianças também se intoxiquem.E o que tem resultado é a nossa doença, o nosso ser-doente, nossa violência, nosso desespero.
E, se você praticar o olhar em profundidade - meditação - você será capaz de identificar as fontes de nutrição, da comida que tem sido trazida para nós.
Portanto, toda a nação tem que praticar esse olhar profundo para a natureza do que se consome diariamente. E, o consumo consciente é a única maneira de proteger nossa nação, nós mesmos, nossa família e nossa sociedade. Temos que aprender o que produzir e o que não produzir, a fim de prover as pessoas apenas com aquilo que é nutritivo e curativo. Nós temos que evitar produzir aquilo que possa trazer guerra e desespero para o nosso corpo, para a nossa consciência, e para o corpo coletivo e para a consciência da nossa nação e da nossa sociedade."

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

FLAGRANTE: Então é Natal?



"Papai Noel,
velho batuta,
rejeita os miseráveis.
Eu quero matá-lo,
aquele porco capitalista.
Presenteia os ricos,
cospe nos pobres."


Quem não conhece esse clássico do punk rock pode sentir a mesma indignação ao olhar para essa fotografia e perceber a condição do trabalhador em época de festas natalinas. Duvido que algum deles se sinta confortável com esse "discreto" gorrinho de Santa Claus. Já dizia meu amigo Paulo Bassalo: "operário padrão, mesmo que aconteça a todo momento ser chamado de besta". É aviltante o que o a necessidade de sobreviver faz com as pessoas, e como os dentes vorazes do capitalismo utilizam dessa fraqueza para triunfar. O Natal é muito importante para o comerciante, pois para ele não é interessante que o trabalhador faça algo útil com seu 13º salário, e sim, financie os investimentos de sua empresa no ano que está por vir. Daí a necessidade de chamar a atenção do cliente (o famoso AIDA: atenção, interesse, desejo e ação).
Alguns podem achar normal, afinal... é Natal! E daí? O Natal não autoriza ninguém a ceder parte de sua dignidade e a CLT dispõe sobre a moralidade no ambiente de trabalho. Por outro lado, e isso é o que prevalece, existe a liberdade do trabalhador em contratar e encerrar contratos de trabalho. Linhas gerais, se resume no direito de aceitar as condições do trabalho ou ficar desempregado.
Para mim isso é assédio moral. Não posso esquecer que debaixo do uniforme do empregado existe um ser humano que tem desejos e convicções que devem ser respeitados. Ao uniformizar o empregado, amorfizou-se o indivíduo, que já pode ser confundido com uma carteira de trabalho. Um passo a frente e o empregado volta a ser propriedade do senhor feudal que é o seu patrão: fiquei sabendo que o empregado dessa loja aí na foto não pode tirar o gorrinho no seu feudo de trabalho.
O engraçado é que os vendedores não utilizam o referido adorno, somente os caixas. Talvez seja porque o patrão sabe que o cliente não vai querer ser atendido por uma pessoa com um chapeuzinho ridículo desses. Ao mesmo tempo, simbolicamente, os gorros demonstram a conexão entre o capitalismo do Natal e a sua atividade tesoureira. O gorro do Papai Noel, aquele porco capitalista, é agora coercitivamente usado pelos humildes trabalhadores, hienas do capital.
רפאל

FLAGRANTE: aluno pé-de-cana


Observem bem a a imagem acima: não, não é o Sul do Pará ou a Transamazônica. É o Terminal de ônibus localizado no terceiro portão da UFPA, na Perimetral, em Belém. Notem alguns alunos aproveitando a sombra do veículo para se proteger do sol. Parece estranho? Eu explico.
A situação enfrentada pelos discentes e trabalhadores da Universidade Federal que utilizam o transporte coletivo para seu deslocamento é vergonhosa. Com a "reforma" do terminal, metade das acomodações para aguardar o ônibus foram destruídas, sem que houvesse o remanejamento das linhas para o outro lado do terminal (esse que aparece no fundo da fotografia). Conclusão: aqueles que necessitam das linhas que saem do terminal no sentido Perimetral-João Paulo II tem que se submeter a dura rotina de esperar o ônibus praticamente na rua, pegando poeira na cara, e isso sem falar dos riscos outros (acredito que a noite a situação deva ser ainda mais delicada), como assaltos e acidentes.
O curioso que presenciei essa situação na última sexta-feira, porém, fiquei sabendo que o referido já ocorre há um certo tempo. Me surpreende a classe estudantil, através dos DCE's da vida, aceitar uma situação dessas. Não busquei saber, mas acredito que nenhum ofício tenha sido protocolado na PMB.
Concomitantemente, candidatos se revezam na campanha para assumir a reitoria da UFPA. Não sei o nome deles ou quem eles são. Será que não é importante zelar pela incolumidade dos alunos? Será que a campanha se encerra nos terrenos dos Campi?
Lembro quando eu estudava lá e tinha que me submeter a uma rotina massacrante para ir à aula: primeiro, saia de casa e passava um bom tempo esperando um ônibus, até descer na Lomas Valentinas e esperar em torno de 20 minutos junto aos vários colegas que se acumulavam no ponto, para então subir num coletivo lotado rumo à UFPA. Então, quando o o ônibus não era assaltado ou apedrejado, eu chegava na Universidade, mas pelo menos chegava na estação, não no meio da rua. Nesta última sexta-feira, o coletivo estacionou no meio da rua, e quando vi, só havia piçarra e poeira ao meu redor. Pensei que estava numa estrada, mas então vi que não haviam plantações, somente alunos, que mais pareciam pés de cana-de-açúcar na beira da estrada, expostos ao sol e à chuva, comendo poeira e ignorados. Estava em qualquer lugar, isso sim, mas não podia ser numa Universidade, com todo o respeito ao esclarecimento.
É verdade, era uma estrada, estrada do descaso, radial do desespero. É mentira, não eram alunos, eram pés-de-alunos, ou alunos pés-de-cana.
רפאל



terça-feira, 18 de novembro de 2008

Smashing Pumpkins - I'm in love with you!



Fontes fidedignas informam que a banda estadunidense Smashing Pumpkins pode vir ao Brasil em 2009, como parte de sua turnê comemorativa de seus 20 anos de estrada. Para mim, um pumpkin' lover de carteirinha, essa passagem é mais importante que um cometa, pois simboliza as memórias de minha juventude, todas elas alimentadas pelos discos lançados nos idos e queridos anos 90. Lembro do lançamento dos grandes álbuns deles, em especial o álbum Mellon Collie and the Infinite Sadness, lançado em 1995, que veio a tornar-se o CD duplo mais vendido no mundo, superando a marca de grandes medalhões, como The Wall, do Pink Floyd. Naquela época, o rock alternativo transmitia uma segurança incomparável aos seus ouvintes. Parecia que a música tinha encontrado um meio de sobreviver, mesmo que todos aclamassem a "morte do rock". Na minha opinião, fomos uma geração muito feliz. O rock dos anos 90, embora eminentemente estrangeiro, foi um marco na minha geração. Sinceramente, acho mais rico que o rock oitentista, um vez que representa muito mais para mim.
Smashing Pumpkins no Brasil! Quem diria! Em agosto de 1998 eles estiveram aqui e tocaram em São Paulo. Eu infelizmente perdi o show. Estava lá em Sampa de férias em julho - foi por muito pouco. Prometi a mim mesmo que, se houvesse outra oportunidade, não perderia de jeito algum. Deus é um cara legal e parece que vai me permitir isso. For the last time, Smashing Pumpkins!

Aos pumpkinianos, vamos reestruturar a nossa paixão e compartilhar tudo isso, sugiro uma visita ao Smashing Pumpkins Internet Fan Club, http://www.spifc.org/

רפאל


quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Joelho de porco e, pasmem: laranjinha de caldo de galinha!



Quando imagino que já estou um coroa-enxuto e que nada mais vai me comover ou assustar, bem, é exatamente quando me surpreendo com coisas para mim inimagináveis. Meu estimado professor Georgenor de Sousa Franco Filho uma vez me disse: "no dia em que achar que não sabe de nada, pode acreditar que acaba de aprender alguma coisa". Em Puerto Iguazú, ouvi falar de um tal sorvete de flor. Aí lembro da sorveteria Santa Marta, que era a única que fazia sorvete de pupunha. De férias em Foz do Iguaçu, tive a oportunidade de provar o famoso Heinsbein, ou joelho de porco: muita mídia pra pouco sabor - sinceramente, tem gosto de chulé!
Mas não é disso que queria tratar. O que tem me impressionado são os fatos corriqueiros na imprensa em geral, baseados em condutas violentas que assustam e traumatizam diversos brasileiros. Hoje em dia a regra das ruas é espancar ladrão até a morte. A regra das famílias é o filicídio; dos filhos, parricídio, matricídio, avuncolicídio... Não sabemos mas em quem confiar.
Em meio a tudo isso o filósofo francês Luc Ferry declara a família como a única célula capaz de resgatar os valores, uma vez que até a fé religiosa é insatisfatória. Para ele os fiéis de hoje não morreriam pela igreja (no mundo ocidental), porém, o fariam pela família. O que tenho visto no noticiário são pessoas matando a família e morrendo sem fé. Aí não entendo mais nada.
Para Hannah Arendt o colapso da sociedade aconteceria quando os valores transcedentais não mais sobreviveriam aos vícios cotidianos. Essa "banalização das injustiças", como afirma Arendt, tornaria o homem inerte quanto as barbaridades e familiarizado com o caos instaurado.
Agora vejamos o caderno policial do Diário do Pará: se você espremer, escorre sangue. Se ler, tem que achar um meio de considerar tudo dentro dos conformes, mesmo que fora da ordem. Espancamento de bandidos, tortura de acusados, banalização de vítimas e incoerência do Estado são tudo que temos para ler, diariamente, atualizados num grande F5 dos jornalistas. O clima está sempre temperado: caos torrencial com pancadas de injustiça.
Imagino o que meus filhos um dia vão pensar quando aos oito anos de idade tiverem discernimento para conhecer e reconhecer a violência em todas a suas formas. Penso que ainda existem meios de contornar isso. Imagino tudo que envolve essa transformação - aí penso que eu não existo mais. Façam suas apostas... será que temos culpa? Para Feuerbach, somos o que comemos. Se estamos consumindo toda a violência, espancando pivetes, pretendendo a matéria viva, alimentando egoísmo, proliferando ódio e destruição, provavelmente somos o monstro do Leviatã.
Eu de minha parte estou consumindo tudo isso como bizarrice e mídia fajuta. Por falar em bizarrice, ontem soube de mais uma para minha quase-branca-cabeça-de-coroa-enxuto: é que no bairro do Benguí, existe uma senhora que faz laranjinha de caldo de galinha! Isso sim é curioso! No diapasão de Feuerbach, se "what you eat you are", deve ser esse o meu menu mais trivial: joelho de porco com laranjinha de caldo de galinha!
רפאל

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Jubileu do ano 2000 (escrito em 1999)


Jubileu do ano 2000

O Jubileu já tá chegando,
todo prosa e moribundo.
Emancipando o submundo
que já teme seu chegar.

Rezo terço acordado
já temendo o Diabo,
e o bebum despreocupado
pede a Deus para ficar.

Crença doida e doentia,
paisagismo e homilia.
Satanás condecorado
brilhou queimando a velha chama.

Se já é hora, o Juizado.
O Jubileu tá atrasado
e o seu império penhorado.
Coisas de um povo condenado.

E se intriga com a peste
que tem "page" na internet.
Saiba que meu corpo
a injeção não vai tomar.

Globalizaram teu teatro
e esqueceram o cadeado.
Entre risos e fracassos,
eu trago o sonho congelado.

Mas a vida eu não temo
e o degelo do tempo
eu queria acelerar.

A medida do tempo,
a gaiola por dentro,
a questão do momento
que espero pra me mandar.

O Jubileu é uma piada,
excitada com Viagra.
É só sorriso e gargalhada
e mais nada pra mostrar.

Já me preocupa a tua vontade
pois desconheço a realidade.
Interferiste na viagem
que o teu sono ignorou.

Seja qual for a fachada
tua estrutura é desmembrada,
comprimida e espalhada
em bilhões de bilhões.

O Jubileu é uma farsa,
o verdadeiro é bomba armada.
É desespero de passagem,
é cortesia para entrada,
é universo paralelo,
é um jornal mais preocupado,
é poesia do Bassalo,
é parabéns e aniversário,
é um ser vivo em vez de morto
(um horizonte mais exposto).

É recriar a molecada,
e começar a cachorrada
mesmo louca e desmembrada.

O Jubileu não tá com nada
e tudo novo quer brotar.

רפאל

De férias


Aos bloggeiros, peço perdão pelo sumiço. Estando de férias - inclusive do computador - tive um ligeiro afastamento do blog, porém nada prejudicial. Neste meio tempo, vi e desfrutei de uma grande verdade: não há verdade que seja suficiente para nos satisfazer, a não ser que tenhamos discernimento. Kant dizia que, por não conseguir nos fazer felizes, Deus nos deu a inteligência...

É bom estar, bom ir... melhor ainda é querer mais: as vezes é melhor do que poder. A felicidade desesperada é um vício da humanidade. Encontro e despedida.
Satisfação estar aqui, רפאל