terça-feira, 2 de março de 2010
O privilégio de ter alguém (o poema que você sabe pra quem)
não tem o privilégio
de ter alguém.
Sinto muita paz
pela linda calma
que você me traz.
Quero que escreva
nosso nome em
um lugar sagrado.
Por que você sabe
e se não sabe
eu sou um homem amado!
Esse versinho
vem mansinho
com todo carinho
pra quem segura na minha mão.
רפאל
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Hexa (escrito em 2006)
Vi muito egoísmo do povo brasileiro nessa época. Críticas vazias às seleções estrangeiras e uma vanglorização da nossa seleção, que, sinceramente, era, sem sombra de dúvidas, muito melhor no PlayStation II.
Hexa
Cadê a pureza, meu irmão?
Deixou teu filho cagado,
a mulher ficou chateada.
Nem açougue, nem supermercado
nem ao menos tampou a privada!
Por outro lado fez um bom estrago
no crédito que tinha em cartão,
comprando em longo prazo
um uniforme da nossa seleção.
Só não contava com a mentira,
essa víbora enrustida.
Stélio da verdade
na nova vida multimídia.
Ao menos não vou ficar estressado,
nem vou mentir pro patrão.
Terça e sexta vai ter feriado.
Rico ou pobre, no altar, a televisão.
O povo gandula
falsifica novo herói.
Vilão da realidade
em tensa união.
A Copa do Mundo é isso mesmo:
um povo que não joga no seu time,
pra vencer, se derrotou.
Além da gravidade,
os gomos dos cabelos
escondem a bola-realidade.
A felicidade não é isso aí:
não é hexa-merda, Brasil.
Só pra quem quer gol,
pois, quem se cagou,
te pega na ressaca!
רפאל
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Jubileu do ano 2000 (escrito em 1999)
Jubileu do ano 2000
O Jubileu já tá chegando,
todo prosa e moribundo.
Emancipando o submundo
que já teme seu chegar.
Rezo terço acordado
já temendo o Diabo,
e o bebum despreocupado
pede a Deus para ficar.
Crença doida e doentia,
paisagismo e homilia.
Satanás condecorado
brilhou queimando a velha chama.
Se já é hora, o Juizado.
O Jubileu tá atrasado
e o seu império penhorado.
Coisas de um povo condenado.
E se intriga com a peste
que tem "page" na internet.
Saiba que meu corpo
a injeção não vai tomar.
Globalizaram teu teatro
e esqueceram o cadeado.
Entre risos e fracassos,
eu trago o sonho congelado.
Mas a vida eu não temo
e o degelo do tempo
eu queria acelerar.
A medida do tempo,
a gaiola por dentro,
a questão do momento
que espero pra me mandar.
O Jubileu é uma piada,
excitada com Viagra.
É só sorriso e gargalhada
e mais nada pra mostrar.
Já me preocupa a tua vontade
pois desconheço a realidade.
Interferiste na viagem
que o teu sono ignorou.
Seja qual for a fachada
tua estrutura é desmembrada,
comprimida e espalhada
em bilhões de bilhões.
O Jubileu é uma farsa,
o verdadeiro é bomba armada.
É desespero de passagem,
é cortesia para entrada,
é universo paralelo,
é um jornal mais preocupado,
é poesia do Bassalo,
é parabéns e aniversário,
é um ser vivo em vez de morto
(um horizonte mais exposto).
É recriar a molecada,
e começar a cachorrada
mesmo louca e desmembrada.
O Jubileu não tá com nada
e tudo novo quer brotar.
רפאל
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Minima Moralia - Dedicatória de Adorno para Horkheimer

Mas a relação entre a vida e a produção, que degrada efetivamente aquela a um fenômeno efêmero desta, é de todo absurda. Invertem-se entre si o meio e o fim. Ainda não se eliminou totalmente da vida a suspeita do inconseqüente quid pró quo. A essência reduzida e degradada luta tenazmente contra o seu encantamento de fachada. A alteração das próprias relações de produção depende em grande medida do que ocorre na "esfera do consumo", na simples forma reflexa da produção e na caricatura da verdadeira vida: na consciência e inconsciência dos indivíduos. Só em virtude da oposição à produção, enquanto não de todo assimilada pela ordem, podem os homens suscitar uma produção mais dignamente humana. Se de todo se eliminar a aparência da vida, que a própria esfera do consumo com tão más razões defende, triunfará então o malefício da produção absoluta.
Há, contudo, muita falsidade nas considerações que partem do sujeito acerca de como a vida se tornou aparência. Porque na atual fase da evolução histórica, cuja avassaladora objetividade consiste apenas na dissolução do sujeito sem que dela tenha nascido novidade alguma, a experiência individual apoia-se necessariamente no velho sujeito, historicamente condenado, que ainda é para si, mas já não em si. Ele julga estar seguro da sua autonomia, mas a nulidade que o campo de concentração patenteou aos sujeitos ultrapassa já a forma da própria subjetividade. À consideração subjetiva, mesmo criticamente acutilante acerca de si mesma, cola-se um [elemento] sentimental e anacrônico: algo do lamento pelo curso do mundo, que seria de rejeitar não pelo que neste há de bondade, mas porque o sujeito que se lamenta ameaça ancilosar-se no seu modo de ser, cumprindo assim de novo a lei do curso do mundo. A fidelidade ao próprio estado da consciência e da experiência está sempre sujeita à tentação de se transformar em infidelidade, enquanto renuncia ao discernimento que transcende o indivíduo e chama tal substância pelo seu nome."
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
M(EU) CONSCIENTE
Meu consciente,
suficiente,
num contexto falso.
Minando a verdade,
completa a traição.
De cada ida ao cinema,
apesar do cuidado,
saio pior
e mais abestado.
Confunde a fraqueza
e domina a pobreza
com a diversão do solidário!
terça-feira, 12 de agosto de 2008
A vida pra noite é uma noite constante
Lombra passa,
Chuva passa.
Só o que não vem é o que não passa.
E o que foi, se foi.
Passou a data e a hora,
e não tinha nem hora marcada.
Chuva na cara,
na máscara dos que riem.
Não se pode ser assim
se não se pode ser pra si.
Não se pode ter um fim,
chuva no tempo, no tempo ruim.
רפאל
