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terça-feira, 2 de março de 2010

Tapa com luva de pelica




"Levei um tapa com luva de pelica". Foi assim que me senti.
Num dia quente do verão pernambucano, após um desencontro profissional, parei para tomar um caldo de cana e, quando percebi estava esmoecendo, reclamando da vida. Olhei para o meu lado e percebi sentados na barraca do caldo uma senhora e um garoto de aproximadamente oito anos, o qual só um instante depois percebi que era cego.
Estava eu preocupado com meus pequenos problemas quando o garoto resolveu se levantar. Imediatamente, peguei sua mão direita e facilitei sua saída por entre as mesas e cadeiras.
Sem que eu pudesse perceber ou imaginar, o garoto virou para mim e disse: - obrigado tio, um bom dia pro senhor. Depois disso me deu um beijo no rosto, o qual eu retribui.
Após ele ir embora não resisti, nem hesitei, e sim comecei a chorar imediatamente. Vergonha de mim mesmo, meu egoísmo travesso e primitivo. O garoto nunca viu a luz do sol e resplandece luz a sua volta. Eu, com toda a energia que a perfeição me proporciona, achando-me em trevas.
Sou grato por Deus me proporcionar a cura de uma ignorância tão grande e absurda.


רפאל

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Macaco cidadão


O Governo do Estado do Pará anuncia como obra indispensável ao desenvolvimento do Estado o prolongamento da Rodovia dos Trabalhadores (Transmangueirão) através da sua união com a Avenida Júlio Cesar. Consequentemente, esta obra seria executada com prejuízo ao Parque Ecológico do Município, área de 44 hectares localizada entre os conjuntos Bela Vista e Médice.
Os moradores do Bela Vista não poderiam deixar de ficar indignados e insatisfeitos com a empreitada estatal, uma vez que serão os mais afetados com a perda de quase a totalidade de sua área verde. Não há, em nenhum momento, um projeto que leve em consideração a preservação da mata centenária que cerca o conjunto.
Indo mais além, paro para pensar se o Governo é capaz de me responder uma pergunta mais que fundamental: o que nós queremos para Belém? Qual é o projeto urbanístico que hipostaseamos para a cidade?
O que vejo é precipitação e descaso: acredito que os engenheiros encarregados desconheçam que essa área foi criada através do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, e como UC (Unidade de Conservação), tem a proteção de uma lei municipal que istitui e regula o Parque Ecológico do Município de Belém.
A precipitação do Estado é clara e visível: primeiro, em sonhar que sediaria a Copa do Mundo de Futebol em 2014. Descartada a possibilidade, imagino que prejudicar o bem estar e a segurança de famílias e desgastar potencialmente uma área verde por causa somente de um campeonato é uma tremenda incoerência. Sem falar que, óbvio, as grandes seleções jamais jogariam aqui, elas provavelmente iriam para o outro Brasil que fica mais embaixo. Assim, imaginem os possíveis clássicos que perdemos: Rússia x Marrocos, Israel x Trinidad & Tobago, Senegal x Egito...
Nasci e cresci convivendo com essa área verde, escutando o sabiá cantando na hora do café, dando comida aos macacos-de-cheiro, isso sem falar das trilhas e brincadeiras na mata. Acredito que minha dúvida quanto a pertinência dessa obra é contundente. Se tudo se consumar, o que vai restar é isso aí na foto, macaco no asfalto, ou macaco cidadão. Não há indenização que traga de volta a paz que nós vivemos hoje nesse pedacinho de céu que é o Bela Vista.
Com tudo isso o Governo do Estado anuncia que vai plantar um bilhão de árvores. Nada mais justo, pois só aqui no conjunto devem ter derrubado umas 10 milhões!
O que vão fazer do ecossistema local? Isso ninguém se manifesta. O Governo se "compromete" a fazer centro de pesquisa, organizar a visitação ao parque, etc... Lembro que o parque sequer é do Estado, e sim do Município de Belém, portanto, como é que posso entender isso. Ainda mais de um Governo que, sinceramente, até hoje não concluiu nada com competência. É o Governo do projeto, do planejamento. Governo Power Point, isso aí!

Imagino que macacos como esse aí sejam objeto de um projeto de "inclusão social", e que o o Estado vá destinar subsídios para seja possibilitada a preservação de sua "dignidade humana", atraves do exercício da "ação afirmativa" de seus "direitos atávicos de macaco primitivo", combinados com a perspectiva de expansão das garantias sociais dos desfavorecidos.
É, pois esse macaco aí vai ficar sem terra, ou melhor, sem galho. O que fazer? Bolsa-sem-galho pra ele!



רפאל

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Joelho de porco e, pasmem: laranjinha de caldo de galinha!



Quando imagino que já estou um coroa-enxuto e que nada mais vai me comover ou assustar, bem, é exatamente quando me surpreendo com coisas para mim inimagináveis. Meu estimado professor Georgenor de Sousa Franco Filho uma vez me disse: "no dia em que achar que não sabe de nada, pode acreditar que acaba de aprender alguma coisa". Em Puerto Iguazú, ouvi falar de um tal sorvete de flor. Aí lembro da sorveteria Santa Marta, que era a única que fazia sorvete de pupunha. De férias em Foz do Iguaçu, tive a oportunidade de provar o famoso Heinsbein, ou joelho de porco: muita mídia pra pouco sabor - sinceramente, tem gosto de chulé!
Mas não é disso que queria tratar. O que tem me impressionado são os fatos corriqueiros na imprensa em geral, baseados em condutas violentas que assustam e traumatizam diversos brasileiros. Hoje em dia a regra das ruas é espancar ladrão até a morte. A regra das famílias é o filicídio; dos filhos, parricídio, matricídio, avuncolicídio... Não sabemos mas em quem confiar.
Em meio a tudo isso o filósofo francês Luc Ferry declara a família como a única célula capaz de resgatar os valores, uma vez que até a fé religiosa é insatisfatória. Para ele os fiéis de hoje não morreriam pela igreja (no mundo ocidental), porém, o fariam pela família. O que tenho visto no noticiário são pessoas matando a família e morrendo sem fé. Aí não entendo mais nada.
Para Hannah Arendt o colapso da sociedade aconteceria quando os valores transcedentais não mais sobreviveriam aos vícios cotidianos. Essa "banalização das injustiças", como afirma Arendt, tornaria o homem inerte quanto as barbaridades e familiarizado com o caos instaurado.
Agora vejamos o caderno policial do Diário do Pará: se você espremer, escorre sangue. Se ler, tem que achar um meio de considerar tudo dentro dos conformes, mesmo que fora da ordem. Espancamento de bandidos, tortura de acusados, banalização de vítimas e incoerência do Estado são tudo que temos para ler, diariamente, atualizados num grande F5 dos jornalistas. O clima está sempre temperado: caos torrencial com pancadas de injustiça.
Imagino o que meus filhos um dia vão pensar quando aos oito anos de idade tiverem discernimento para conhecer e reconhecer a violência em todas a suas formas. Penso que ainda existem meios de contornar isso. Imagino tudo que envolve essa transformação - aí penso que eu não existo mais. Façam suas apostas... será que temos culpa? Para Feuerbach, somos o que comemos. Se estamos consumindo toda a violência, espancando pivetes, pretendendo a matéria viva, alimentando egoísmo, proliferando ódio e destruição, provavelmente somos o monstro do Leviatã.
Eu de minha parte estou consumindo tudo isso como bizarrice e mídia fajuta. Por falar em bizarrice, ontem soube de mais uma para minha quase-branca-cabeça-de-coroa-enxuto: é que no bairro do Benguí, existe uma senhora que faz laranjinha de caldo de galinha! Isso sim é curioso! No diapasão de Feuerbach, se "what you eat you are", deve ser esse o meu menu mais trivial: joelho de porco com laranjinha de caldo de galinha!
רפאל

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Setembro

Sempre gostei muito da atmosfera do mês de setembro. Coloco-o entre os meses do ano que mais aprecio, juntamente com maio e janeiro - odeio março e agosto.
A natureza disso, eu desconheço. Mas admito que há nele algo de especial. Talvez seja em razão dos aniversários de vários amigos e conhecidos: Luciano Palmeiro (5), Diego Rodrigo (8), Diego Gonzalez (3, hoje), et al, todos os grandes amigos que agradeço diariamente ter ao meu lado. Em especial, os aniversários das librianas Irinéa Brito (27) - minha mãe, celula mater de minha existência - e minha querida Leidiane Pereira (28), recém chegada em minha vida, porém, já ocupante de local privilegiado nela.
Acredito que muito se deva também ao início da primavera, muito embora aqui em Belém do Pará a mudança das estações seja fato desconhecido. Nesta terrinha, só existe: uma época que chove muito e faz calor, e outra época, onde chove menos e faz mais calor ainda!
Outra paixão que tenho por setembro são devidas a minha época de infância. Lembro dos bombons de São Cosme e Damião no dia do aniversário da minha mãe - normalmente, dia de comilança lá em casa. Depois do belo rango, eu partia pra rua, atrás dos vizinhos que distribuíam bombom em suas casas. Lembro dos meninos mais pobres brigando pelos pirulitos e jujubas. Lembro daquele pirulito grande e achatado, que eu só via nesse dia e no nostálgico programa do Chaves.
Outra data interessante na minha infância era o Dia da Árvore (21). Lembro dos trabalhos de classe no Colégio Santa Catarina envolvendo belos desenhos e plantas. Lembro do dia em que plantei um grão de feijão num chumaço de algodão - e grelou!
Em suma, setembro é bastante especial. Curiosamente, tenho essa sensação até hoje. De maio, gosto das noites; de janeiro, das perspectivas. Mas setembro... não sei ao certo.
Já escreveram sobre as águas de março, os ventos de maio, o outubro de homem... mas, de setembro, eu desconheço. Quem sabe seja a minha deixa. Relembro, relembro... SETEMBRO! רפאל

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

O Tratado de Cooperação Amazônica (TCA) e o Relativismo Cultural na Amazônia - Breve Ensaio

É inevitável que a política interna e externa de cada Estado-membro da imensa área da América do Sul atinge, mesmo que por via oblíqua, as relações internacionais e o desenvolvimento do próprio Direito Internacional na América Latina. Neste sentido é que a técnica jurídica comum à práxis do direito interno deve ser vista por outra ótica nas relações jurídicas internacionais, uma vez que para estas relações o direito ganha um viés político-estratégico.
Assim, para um melhor tratamento das relações internacionais em âmbito amazônico, indispensável é o reconhecimento da existência do relativismo cultural no discurso jurídico, e mais ainda, do reconhecimento de que esse relativismo se faz presente nas relações humanas quase que em sua totalidade, portanto a ciência do direito jamais poderia ficar à margem desta concepção, uma vez que o direito é eminentemente cultura de uma certa sociedade em um dado local e tempo. Significa dizer que a historicidade da ciência do direito confere legitimidade aos atos jurídicos realizados em cada época e local.
O Pacto Amazônico encontrou (e ainda encontra) diversos óbices para a sua efetiva implementação, inclusive, resistências culturais que representam a maior força representativa da sociedade internacional (ainda em formação). Força essa que age ora anuindo, ora discordando dos efeitos e da forma que a aproximação dos Estados se apresenta. No caso específico da pan-amazônia, diversos são os fatores que, influenciados pela cultura e noção de mundo, traduzem-se em opiniões e manifestações sobre as relações internacionais. Neste sentido, questiona-se de que forma a integração amazônica internacional é possível, mediante a força representativa da cultura, e de que forma podem as relações internacionais atingir objetivos mediante esses conceitos relativos e até que ponto os tratados internacionais são suficientes, e mais especificamente o Tratado de Cooperação Amazônica viabiliza a evolução nas relações pan-amazônicas, considerando que dificuldades são encontradas na região no que diz respeito à Amazônia.
O TCA não é objetivo no tratamento da questão cultural, assim como outros tratados atribuem a cultura valor supletivo; percebe-se que não há na doutrina jurídica tratamento específico deste aspecto das relações interestatais, assim como à idéia de equidade, também muito mitigada. Somente no âmbito dos direitos humanos, utilizando de noções oriundas da antropologia cultural e jurídica, é que o direito toma para si esse elemento do discurso jurídico internacional. Muitas vezes, o discurso da globalização é tido como um discurso “lugar-comum”, que não considera os possíveis equívocos e contradições que o fenômeno pode apresentar. No âmbito da ciência do direito, as inúmeras desconsiderações do tema frente a uma noção plástica e compartimentada da globalização pode levar uma tautologia jurídica, no que diz respeito ao discurso jurídico, o que, conseqüentemente, pode acarretar na ineficácia do diálogo transcultural do direito.
A noção de Direito no contexto das relações internacionais é passível de receber conotações e interpretações diferenciadas pelos Estados ou sujeitos da sociedade internacional. Sob esse prisma, a dificuldade encontrada em produzir normas internacionais que sejam, de alguma forma, válidas em plano supranacional, encontra tanto as dificuldades atinentes aos aspectos de legalidade e legitimidade, quanto a dificuldade em ser aceita e respeitada pelos aspectos mais íntimos de uma sociedade. A superação de princípios e valores locais, bem como a harmonização da legislação interna às questões de interesse internacional envolvem uma atividade de auto-superação motivada pela determinação estatal em atuar no cenário internacional para satisfação de interesses de mesma natureza.
A dificuldade apresentada pelas concepções relativistas e universalistas da cultura dificultam ao discurso jurídico o pleno êxito das relações internacionais, o que acarreta muitas vezes na visão prejudicada que a cultura jurídica – em especial a cultura jurídica brasileira – reserva ao Direito Internacional Público, conservando ainda uma visão que acaba por colocar este ramo do Direito em plano secundário, o que em suma, é uma atitude de pleno desrespeito embasada por uma visão relativista da cultura, muitas vezes formulada em contraponto ao entendimento universalista desmesurado, baseado em conceitos vagos que aludem a uma “globalização”, ou “processo de integração”, partindo de uma noção compartimentada e limitada do processo que envolve a globalização e a formação da sociedade internacional.
Percebe-se que o relativismo cultural alimentou a resistência e o descaso de muitas nações sobre as questões de cunho internacionalista, o que contribuiu para a formação da visão secundária do Direito Internacional, manifestada por muitos governos quando da elaboração do Tratado de Cooperação Amazônica, através de restrições expressas, sob a alegação de proteção à soberania estatal. As relações internacionais encontraram – e ainda encontram – imensa dificuldade em satisfazer os interesses locais dos Estados em tão somente “conseguir para si” benefícios com a celebração de tratados internacionais, o que, obviamente, prejudica o objeto das relações dessa natureza, que é justamente a satisfação da sociedade internacional. O relativismo cultural reproduz noções e conceitos para fins de restringir a atividade e a visão “globalizante”, bem como a tendência natural do desenvolvimento das relações internacionais, manifestada pela necessidade de cooperação dos países no contexto global para a satisfação de necessidades continentais, regionais, ou mesmo mundiais.
Por outro lado, a concepção universalista muitas vezes provoca um discurso jurídico tautológico, baseado na mera reafirmação de conceitos e princípios “universais”, inerentes ao ser humano em natureza. Tal concepção acarreta na não-aceitação desmesurada em compartilhar da visão universalista, posto que seu conteúdo, na grande maioria das vezes não atine para dificuldades locais ou mesmo silencia a considerar esses aspectos, o que faz com que a sociedade tenda a repelir muitas vezes essa visão global da cultura – por via oblíqua, o próprio Direito Internacional.
Através de uma análise breve do desenvolvimento do Tratado de Cooperação Amazônica, percebemos um crescente interesse dos países amazônicos no desenvolvimento do Tratado. Esse interesse é alimentado pelas dificuldades enfrentadas pelos Estados em estabelecer políticas que assegurem o desenvolvimento da região amazônica, passando tais países a acreditar no instrumento do Tratado como um meio para superação e garantia dos direitos na região. Tal entendimento configura uma evolução considerável no desenvolvimento das relações internacionais na Amazônia, pois demonstra que o desenvolvimento do Direito Internacional depende, em última instância, da formação de uma cultura de Direito Internacional, e o afastamento de concepções e manifestações relativistas baseadas em uma visão estanque da cultura e dos direitos humanos. A Declaração de Belém, elaborada por ocasião da I Reunião dos Ministros das Relações Exteriores demonstra como a articulação política dos países amazônicos era ainda incipiente quando da celebração do Tratado, o que está consignado através de um documento que pouco faz além de reiterar o preâmbulo do Tratado. Por outro lado, conforme a necessidade de se criar mecanismos harmoniosos para satisfação dos interesses vitais desses países sobre a Amazônia cresce, cresce também o valor atribuído ao Tratado como instrumento viável para garantir a defesa da Amazônia, bem como o paradigma da sustentabilidade e do manejo de recursos naturais, sem prejuízo do interesse político e econômico do mundo na região. Tal interesse é confirmado pelo constante fortalecimento institucional do TCA, através da criação de Comissões Especiais e Permanentes para estudo e manejo de questões amazônicas, bem como da criação da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica – OTCA.
Porém, muito embora haja interesse político em mobilizar relações internacionais para atingir interesses econômicos internacionais comuns, a efetiva integração de países envolve uma tarefa árdua de harmonização de princípios. A dificuldade do universalismo é justamente estabelecer discurso coerente com a realidade local em detrimento dos interesses internacionais comuns aos países amazônicos; por outro lado, o discurso tradicional e muitas vezes ortodoxo proposto pelos adeptos ao relativismo cultural acaba por gerar um efeito protelatório ao bom andamento das relações internacionais na Amazônia, através de uma conduta inclinadamente tolerante, onde observa-se uma tolerância vazia e indiscriminada, manifesta através de repetidos discursos sobre a integração regional e a aproximação da cultura Amazônica.
O problema que se mostra é determinante para o desenvolvimento de uma cultura amazônica, pois, partindo-se de concepções estanques, ou seja, fundadas em uma só cultura, torna-se inoperante o aparato internacional, justamente por não haver meios de superar antigas dicotomias da Ciência Jurídica, onde muitas vezes não só a conduta relativista é prejudicial, mas também a própria noção de soberania estatal e a força que ela representa para o Estado e o Direito.
Percebe-se quão grande é a dificuldade encontrada em fornecer elementos para uma nova noção de sociedade, vista agora sob o prisma supranacional, posto que as dificuldades da região amazônica invocam a força representativa da cultura local para desvirtuar ou mesmo dissimular a necessidade crescente da integração regional como processo formação de uma nova trajetória para a sociedade.
Admite-se que o relativismo cultural demonstrado em pré-conceitos acerca das razões para a cooperação e a integração amazônica significa uma postura diametralmente oposta ao discurso universalista ordinário, que muitas vezes não suscita diversidades culturais e dificuldades locais para o processo de formação da sociedade global, que, acima de qualquer coisa, não deve ser feito através da deformação do Estado, e sim, através de uma transmutação, que envolve a difícil tarefa de reconhecer os problemas e dificuldades internas de cada país amazônico. Tal tarefa supõe um processo de concessões mútuas, que demonstrem de que forma á devida integração é possível. O caráter solidário das relações internacionais é fundamental para a compreensão da formação de um fenômeno novo e inédito na história mundial.
A necessidade de discutir-se a importância do diálogo transcultural do direito nas relações internacionais invoca um novo passo para a hermenêutica jurídica contemporânea, no sentido de compreender quais óbices são verificados na consolidação de projetos de sociedade a nível internacional, bem como que critérios podem ser utilizados para harmonizar conflitos, sem que seja necessário entregar-se de antemão ao reducionismo do relativismo cultural, que de forma alguma questiona o problema fundamental e sua importância para o direito a sociedade internacional.
Dessa forma, a superação do relativismo cultural pode contribuir para o enriquecimento do diálogo transcultural do direito na região amazônica, o que possibilita ao Tratado de Cooperação Amazônia, através da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, envolver os atores internacionais em uma atmosfera de constante superação de conflitos determinados pela cultura local – o que envolve o Direito Interno – para consolidar assim um projeto de sociedade pan-amazônica, sem que haja, para tal, a imposição de valores ou interesses com inobservância desses aspectos da sociedade.
רפאל

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Homofobia na sociedade


Tenho uma amiga que costuma se irritar e muito quando eu falo sobro o homossexualismo. Eu tenho que dizer sempre para ela: Virgínia, minha opinião é minha opinião e minha crítica é construtiva, senão, seria deboche!
A verdade é que não desfruto da opinião geral que se faz do homossexualismo hoje. Essa tolerância desvairada e extrema para mim é típica de uma opinião lugar-comum, típica de quem não tem o que opinar. O exercício da "ação afirmativa", no que tange aos direitos dos homossexuais, para mim é o exercício de um preconceito e uma ofensa aos padrões morais da sociedade. Se é que ainda existe sociedade moral, pois como afirmou Nietzsche, não há fenômenos morais, e sim, interpretações morais, pois nem sempre o que fazemos com a melhor das intenções é nesse diapasão interpretado pelo outro. Repouso nessa idéia o meu direito de criticar a conduta geral da sociedade sobre o assunto.
Lembro do que meu pai fala: "na Inglaterra, o homossexualismo já foi proibido. Depois passou a ser tolerado; depois, respeitado. Agora, é disciplinado pelo direito... daqui a pouco é obrigatório! É exatamente a isso que me refiro. Que perspectiva futura é pretendida e qual o argumento moral para essa postura? Paliativo?
Quando vejo na televisão notícias e imagens do movimento gay na Avenida Paulista, fico prostado a acreditar que aquilo tudo esconde muitos segredos. Quem financia isso tudo? Qual a intenção de divulgar esses eventos como se fossem o Círio de Nossa Senhora de Nazaré? Estranho e comento com amigos o assunto, que considero inversão dos valores sexuais.
Sinceramente, minha aversão à hipocrisia não me permite aceitar naturalmente essa condição: para mim, há muita imposição de valores. Não é preciso ser relativista ou universalista para perceber...
Quero deixar claro que não defendo nenhuma atitude radical quanto aos homossexuais, pois sou contra a violência em qualquer espécie que ela venha a ser exercitada, mas meu amor-próprio me obriga a expor a verdade para os outros. Não gosto dessas atitudes, não posso esconder que muitos homossexuais não convivem pacificamente com a sociedade. Primeiro, muitos imaginam que qualquer homem seja um gay em potencial - o que é aviltante; segundo, muitos promovem ações com atitudes escandalosas, quase pornográficas, claramente ofensivas ao pudor ordinário - como o movimento gay.
Defendo sempre a revisão dos valores vanguardistas, sem pensamento retrógrado, é claro. Para mim, a democracia tem limite, e esse limite é a demagogia. Parem para pensar um pouco...
Quando me perguntam meu perfil, eu respondo brincando e a Virgínia se irrita: sou heterossexual, monogâmico e homófobo, pois para mim, homem que é homem não toma mel... MASTIGA ABELHA!
רפאל

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Theodor W. Adorno


Quando descobri os escritos de Theodor W. Adorno, percebi que estava diante de um novo momento em minha vida. Percebi que um intelectual pode sim ser reconhecido por um esforço desumano para tentar ser compreendido sem descomplicar as coisas. Nas palavras do próprio Adorno, "proximidade à distância".

Como cheguei ao fino trabalho dele, isso não importa. Adorno é hoje meu demônio particular, que me atormenta com sua exigente postura e me delicia com a contemplação da desgraça.

רפאל

A Capital Federal

Tenho saudades da Capital Federal. A única certeza que tive ao visitá-la é que não estava num local qualquer, e sim, num grande projeto arquitetônico e cultural. Brasília é importante sim para o Brasil. Demonstra a dificuldade de um povo em realizar-se, em ser feliz, desbravando as estradas brasileiras em busca de seu cantinho de terra. רפאל

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Perseverança e sorte


O que ainda me intriga é saber como, mesmo conhecendo as consequências, um indivíduo chega ao extremo de abrir mão de suas conquistas em nome de uma aventura. Se fossemos aventureiros, teriamos escolha? E o tal livre-arbítrio? Nada mais que uma forma de enaltecer o erro...
רפאל

"Torna-te aquilo que és."

Talvez o grande problema em nossa sociedade hoje seja a dificuldade em aceitar os intempérios e as diferenças diversas. Este é um local para, acima de tudo, conhecer uma parcela de boa ou falsa verdade. Nesta data, compartilho com amigos, afins e desconhecidos minha vontade de mudança e minha paciência com a realidade.
Calma e elegância,
רפאל